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30 março 2018

Crônica: Modernidade

Olá pessoal, gostaria de saber algo de vocês: se vocês pudessem escolher passar (uma semana apenas) no passado, em qual época da história vocês escolheriam? 

Bom, hoje eu venho comentar algumas observações minhas sobre idade média comparada ao tempo atual. Espero que gostem. Lembrando que não sou estudiosa no assunto, apenas fiz comentários confiando na minha memória do que aprendi no colégio.

Não esqueçam de responder a pergunta e clicar no play abaixo do texto, a música é tipicamente medieval. 

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Modernidade 
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Mundo moderno, tantas facilidades que nem temos tempo de analisar elas direito. Mas eu fiz isso assim que começou uma novela. Sim, novela. Antes de falar dela, um breve relato sobre minhas recentes relações com a televisão.

Em 2017 fez cerca de 3 anos que eu não olhava tv todos os dias, ficava semanas consecutivas (e até meses) sem ver e quando fazia era um episódio ou outro de alguma série. Final desse mesmo ano eu senti saudade de ver algumas séries e por isso vasculhei a programação, escolhi 3 para acompanhar e 3 vezes por semana estava eu de tv ligada só para ver os ditos episódios. Mas vendo na internet o anúncio de uma nova novela, Deus salve o rei da emissora Globo, eu acabei reservando um horário diário (sempre que podia) somente para ver os capítulos. Não sou noveleira, já fui quando bem mais nova, mas o tema dessa novela me interessou, adoro castelos e histórias medievais. Bom, mas sem querer, acabo (quase) sempre fazendo uma análise de tudo o que estou vendo, no caso, essa dita novela.

Pelos livros de história sabemos que a vida nessa época não era das melhores, além da falta de muita infraestrutura que hoje temos a impressão que não vivemos sem (rede de esgoto, água encanada e limpinha, energia elétrica, etc), também havia muitos reis tiranos que faziam "gato e sapato" da população, mas deixando de lado essa parte mais tensa da época, vamos analisar algumas coisas boas que existiam comparando elas com nossos dias atuais.

Nessa época, as pessoas não tinham tantas ocupações diferentes como hoje: estudos, trabalho, casa, filhos, família, amigos, vida social, cuidar da saúde com academia ou corrida na rua, internet e suas redes sociais, televisão, supermercado, etc. Antes precisavam se ocupar apenas com seu sustento e alguma compra aqui e lá, coisas básicas,  nada de supérfluos, um baile aqui e lá eram bem vindos, algo esporádico, além claro da atenção com a família e casa; 


Hoje as pessoas (grande parte) se preocupa mais com a vida alheia do que com a sua própria, antes podia até ter fofocas sim mas as pessoas tinham mais dificuldade em saber da vida alheia e por isso em muitas ocasiões não tinham outra opção a não ser esperar e cuidar de suas próprias vidas; 

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Antes (lá nessa época) não tinham tantas distrações digamos...mecânicas, virtuais (shoppings, celulares, internet, tv, revistas, comércio intenso...) e por isso prestavam mais atenção no céu, nas estrelas, nas plantas, nos detalhes ao redor, com certeza a saúde mental agradecia de joelhos;

Antes não tinham necessidade de consumir além do básico e por isso não destruíam tanto a natureza. Talvez não sentiam necessidade por não conhecer o que a natureza podia dar mas concordamos que...bendita santa ignorância;

Tinham palavra (a maioria), se falavam que fariam algo...faziam. Havia porém alguns episódios de honra para cá e para lá que resultava em muitas mortes mas tirando a parte sangrenta da história, como deveria ser bom ouvir algo de alguém e este cumprir com sua palavra. Hoje em dia, dependendo da ocasião, para tudo sair nos conformes, só perante assinatura em documento (de preferência revisado por um advogado) e assinaturas feitas em cartório com firma reconhecida e mesmo assim...às vezes o que tinha que acontecer fica só no papel;

O vocabulário usado era de certa forma mais polido do que as gírias atuais que são muitas vezes desrespeitosas. Nossa senhora das traduções...tem umas gírias que me fazem sentir como se eu tivesse 300 anos de idade!!;

O mundo não era tão imenso, afinal, se conhecia pouco dele e talvez por isso soubessem aproveitar bem o pequeno mundo que conheciam. Não era preciso cuidar de um planeta inteiro e nem saber o que tinha do outro lado do mundo, menos ainda o que acontecia por todos os continentes e com isso sobrava tempo para suas próprias famílias e dessa forma, cuidavam bem dela. 

Esses são alguns exemplos genéricos que me vieram à mente. No instante que a falta de conhecimento poderia ser prejudicial no sentido de as pessoas serem mais suscetíveis  ao papinho enganoso dos mais espertos, elas também estavam com menos distrações, menos preocupações, menos neurônios dando curto circuito de tanto estresse. Com menos neurônios em curto, sobrava mais tempo para olhar para dentro de si, para dentro de casa, para dentro da família, para a natureza. 

Observação no meio do texto: Porque será que as maiores descobertas da história da humanidade foram feitas em tempos passados? Desconfio levemente que tinham tempo para pensar e nenhum interesse em vasculhar a vida alheia. Mas só desconfio... 

Atualmente o acesso super facilitado ao conhecimento pode ser ótimo sim, mas para isso seria necessário separar conhecimento e informação inútil (do tipo, o que a vizinha está fazendo, com quem casou a artista da novela), mas essa separação está cada vez mais rara. Informação inútil em excesso misturado com conhecimento de qualidade, misturado com milhões de distrações, gera tempo nenhum para si, para a casa, para a família e pior ainda para a natureza que está sumindo em alta velocidade graças a ganância do ser humano.

Antes o tempo sobrava, hoje falta. Alguns pontos que havia mais qualidade hoje são as áreas que mais sofrem, em contrapartida áreas desfalcadas de antes, hoje são modernas. 

Nem tanto os extremos citados, nem tanto a falta de conhecimento e de infraestrutura básica mas também nem tanto o excesso de tudo e falta de tempo, precisamos é de equilíbrio, precisamos é não apenas olhar as coisas ao redor, precisamos analisar elas, aprender com elas, evoluir e evolução nada tem a ver com péssima qualidade de vida. 


Fernanda Rocha

Comentários via Facebook

8 comentários:

  1. Oi Fernanda e Nessa,
    Eu acho que escolheria o passado. Não sei... O futuro tem esse mistério que para mim é bem vindo porque traz esperança. Eu sempre procuro pensar que as coisas podem melhorar, e talvez ir para o futuro me faça perder a esperança.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br

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    1. O jeito que o futuro chegará depende de nossas atitudes hoje, precisamos ter além de esperança, precisamos ter coragem para fazer o bem hoje, precisamos ter atitudes dignas hoje.

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  2. Oi Nanda, tudo bem? Eu acho que a sua teoria sobre as descobertas tem todo sentido! Embora a fofoca exista desde sempre, acho que o tempo livre para pesquisas talvez fosse mesmo maior do que hoje. E apesar de tudo, ainda prefiro os tempos modernos.

    Bjs, mi


    O que tem na nossa estante

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    1. Eu penso como você Mi, ainda prefiro os tempos modernos, mas um tempo moderno sem tanto excesso de tudo, ando necessitando de mais leveza ao redor.

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  3. Eu sempre gostei de novelas de época. Fui uma criança e uma adolescente noveleira hehehe, adorava especialmente as novelas espíritas, as novelas românticas das 6 e as do Walcyr Carrasco. Assim como você, eu dei um tempo na televisão e fiquei sem assistir nada na época de estudos. Mas assim que soube sobre Deus salve o rei, voltei a ver novelas. Eu escolheria viver no presente com os valores bons do passado hehehe. Hoje a depressão mata mais através do suicídio do que as epidemias medievais e batalhas. As doenças mentais invadiram a modernidade justamente pela falta de atenção a si próprio. A pressão pata seguir modismos, as competições, a ganância, a falta de atenção ao aqui e ao agora deixaram as mentes humanas doentes. Sempre que possível, gosto de meditar, de me entregar a vida contemplativa é apenas Ser. A modernidade começou a afastar o humano da essência a partir de Descartes com o “Penso, logo existo”. Nossa existência passou a ser mental... Passamos a valorizar o conhecimento, as descobertas científicas e a admirar intelectuais, filósofos e gênios da mente. Nesse ínterim, esquecemos de valorizar a fé, o conhecimento intuitivo e não puramente mental, os sábios, os poetas, os sentimentais... A Idade Média diversas vezes é chamada de “Idade das Trevas” pelo Iluminismo pela falta de conhecimento racional e o teor de misticismo. Mas será que ela era das Trevas mesmo? Seu texto me ver as luzes da Idade Média. Hoje temos muita tecnologia e conhecimento racional, mas ainda estamos nas Trevas no quesito Sabedoria, felicidade e inteligência emocional. Cada vez mais psiquiatras modernos consideram a importância da Gestão da Emoção (especialmente o Augusto Cury). Gosto muito de olhar para dentro. Seu melhor texto foi este! O meu preferido! Beijos

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    1. Taty, seu comentário foi fantástico! Lendo ele vejo que estamos é agora na idade das Trevas, porque agora o mental das pessoas foi contaminado como bem disse. Antes as pessoas morriam , exceto por velhice ou doença, por um um ideal, quem morria em batalhas era por um motivo claro, definido que eles acreditavam ser o certo, hoje as pessoas morrem porque...por que mesmo? Aí que está o detalhe, pessoas se matam por solidão, por não ter um ideal definido em suas vidas. Está nos faltando mais a garra desse pessoal da idade média...

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  4. Concordo plenamente! E estou em busca dessa qualidade de vida. Bjs

    www.mayaravieira.com.br

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    1. Eu também estou e está em nós mudar nosso ambiente para melhor.

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