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22 junho 2018

Crônica: Fator Humano

Olá leitores, hoje o texto é continuação do que foi publicado semana passada, então se você não leu ele ainda, corre lá e confira antes de ler esse. 

Antes, não esqueçam de duas coisinhas:
- Participar da pesquisa sobre as crônicas clicando aqui e
- Clicar no play no final para curtir a música


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Fator humano

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(...) Mas o que eu não previa era a família que estava se formando naquela academia. Os novos donos que chegaram lá na minha segunda semana de treino (época da minha birra), eram (e são) um casal muito simpático, uns amores na verdade hehehehe, e eles tem uma maneira de tratar os alunos difícil de se ver por aí: eles cuidam de cada um com cuidado e atenção. Lembro de uma vez (aí eu já estava no treino mais avançado), eu fazendo agachamento livre (agachar com uma barra nas costas, com pesos dos 2 lados), mas tinha que baixar bastante, o treinador com aluno novo e eu lá fazendo um pouco de corpo mole sem querer (juro: sem querer) aí o teacher, do outro lado da academia com o novo aluno grita para mim: baixa mais!!!!  Eu coloquei a barra no suporte e respondi: vai cuidar do novo aluno!!! Hahahaha.  Sim, lá é assim, não interessa se tem gente nova chegando, se alguém está fazendo errado ou com preguiça algum exercício, ele vai ver e vai comentar, ehehhehee.  Todos são vistos quase o tempo todo, todos tem seus movimentos cuidados mesmo que sejam alunos com experiência. 

Eu treino até hoje pela manhã e portanto tem muitos alunos mais velhos, até uma senhora de 83 anos que era mais fácil faltar o dono da academia do que ela, ia cinco vezes na semana. Pois com essa turma que precisa de mais cuidado e atenção, todos sempre foram atendidos da melhor forma. E para completar: o café. Ir treinar e não tomar um café era imperdoável, hahahahaha. Mas esse café fez muitos matarem treino, hahahhaha (pronto, confessei hahahah). 

Nessa história que conto para vocês, aí que entrou o fator humano: o carinho, a amizade, o respeito, a cumplicidade, as risadas, os segredinhos entre as amigas que iam se formando, as trocas de receitas, as brincadeiras, as experiências de vida compartilhadas. Todos, de idades variadas, iam se entrosando, e quando um faltava todos já sentiam falta e se perguntavam o que tinha acontecido. Alguns alunos entraram e ficaram pouco tempo, outros conheceram diversas outras academias e acabaram fazendo porto seguro lá onde eu estava, devido ao fator humano que ninguém via em outra academia.  

A filhota dos donos da academia também conquistou nossos corações, pequenina, foi crescendo na nossa frente nesses 2 anos, uma fofuraaaa! Lá também vimos nascer, no fundão da academia, num espaço pequeno, a escola de ginastas da mãe da fofura que eu acabei de falar. Sim, os donos são um casal mas ele se dedica a academia de musculação e ela está se dedicando ao sonho dela: formar ginastas, futuras atletas, para competir mesmo. O início desse sonho dela foi lá, miniaturas de gente correndo e fazendo mil piruetas começavam a dar os primeiros passos como ginastas.  Mas o sonho cresceu e saiu dali para um espaço maior, ficamos com a saudade de ver as picurruchas encantando nossos olhos. E a dona primeira dama também fez falta, senti muita falta dos gritos dela: "Bom dia Fefêeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!" Prazer, eu sou a Fefê, que nasceu lá, hehehehe.

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Gente, até eu que cheguei quieta (sempre sou assim em lugares novos), comecei a me sentir em casa lá (também, depois de 2 anos treinando 6 vezes na semana, impossível não se sentir em casa), também fiz amizades lindas, conquistei meu espaço sempre prezando pelo respeito e educação. Lá tive tantas fases: de birra;  de revolta; de quaseeee desistência; de desânimo; de "tanto faz"; de aceitação; de bloqueio com a força dos meus braços; de café; de orelhas caídas devido puxão de orelha (falei dele no texto da semana passada); de "nunca mais vou achar que não consigo fazer algo"; de foco total e treino pesado em ação; de treino de força; de treino de recuperação; de mudanças grandes na alimentação; de mais treino pesado; de "pior não fica"; para logo vir a fase de "a fica simmmm e como!!"; de café; de professora fofa e linda na área  - a Lu -; de fazendo amizade com a prof; de mais uma para a amizade a minha querida Uvinha;  de mais uma professora querida entrando ao grupo Panquecas; de "sim, as 4 formaram um grupo com o nome de panquecas, hahahaha;  de mais café;  de "vamos treinar juntas?"; de "amigaaaa, baixa mais nesse hack"; de "não está bom, vamos lá, eu te ajudo...baixa mais"; de tombo no hack hahahahaha (só fiquei roxa nas canelas mas nada preocupante).

Também teve fases de "passada ?? (com cara de desânimo)...8 kilos? hã? 12?"; de "o café está pronto"; de tombo feio na praia em SC onde tirei um bife suculento de cada joelho e um furinho em cima do pé devido a alça da rasteirinha; de viajar 13 hrs e tanto da praia para casa e ir para a academia em seguida com os joelhos ralados e abafados por mais de 15 horas em calça jeans e depois em calça legging; de "sim eu cheguei de uma viagem de 13 hrs há 1 hr e sim estou sem poder dobrar as pernas mas treino braço oras"; de 3 semanas para fechar os bifes suculentos dos joelhos; de despedida da teacher Lu e da sensação de vazio que deu na gente; de treino extra para alongar a musculatura das pernas; de tomar proteína; de mais café; de decorar a música da apresentação da mini atleta ginasta que ensaiava no fundão da academia; de bolachinhas gostosas feitas por aluna; de "quanto eu devo das bolachinhas que comprei semana passada?"; de "bom dia fefeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee"; de professor da noite sair e ninguém ter ficado feliz com isso (mas foi por mudança de cidade);  de café; de várias jantas da turma da academia aqui perto de casa; de mais café; de teacher grávida; de "como você está? estou morrendo e você? eu também"; de fase de perda de peso do nada; de banho de chuva total caminhando no meio da rua com água nas canelas no final de uma manhã de treino; de ficar uma manhã sem luz com um calor gotosooo; de preciso de café para me esquentar; de sair de casa 8 horas da manhã com 5 graus de temperatura; de sessão de fotos para dar tchau para a Lu quando estava saindo; de ficar balançando os pés no flexor no ritmo da música enquanto descansa; de "falta muito para você? não, só falta mais uma série"; de podemos revezar? ;  e de "pessoal...a academia vai embora do bairro"...

Pois é leitores, esses dois textos foram uma maneira de eu nunca esquecer a turma que foi feita nessa academia onde pela primeira vez, me apaixonei pelas atividades físicas. Mesmo contrariado, os donos decidiram sair do bairro por motivos que não vem ao caso e por não encontrar outro lugar aqui perto. A academia continua no outro canto da cidade junto com a escola de ginastas. Aqui fica uma turma que terá que se separar e que ficou com o coração apertado. Foi um choque, um baque, do nada ficamos calados, cabisbaixos, com esperança que tudo fosse uma brincadeira...mas  a brincadeira era séria, era verdade. 

Depois do silêncio, muita conversa na tentativa de descobrir para onde cada um ia, para qual academia, sendo que aqui no bairro tem uma (mas mais longe que essa que estávamos) e outra em direção ao centro da cidade (também que dá para ir a pé). Meu bairro não é no centro mas é bem próximo, e por aqui tínhamos essas 2 opções para ir a pé. Alguns porém começam a pesquisar elas e não gostam, optam por outras mais longe mas que necessitam de transporte como bus, carro ou moto. Alguns decidem acompanhar a academia mesmo longe do nosso bairro.  Mas nos primeiros dias ninguém sabe direito onde ir, acredito que no fundo todos queriam que acontecesse algo do nada (assim como a notícia da saída) e a academia ficasse no bairro. Mas...não tem jeito, a turma tem que se separar. Dia 29 foi o último dia de treinos por aqui. 

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Mas porque contei tudo isso? Para vocês verem que não foi a academia que provocou tantas fases (como algumas que citei acima), não foi os aparelhos que fizeram a gente criar laços de carinho uns com os outros, não foi somente os exercícios que deixaram todos mais animados...o que provocou tudo isso foi o fator humano colocado ali e mantido pelo donos, por este casal que pelo menos na minha vida, ultrapassaram a fronteira do relacionamento aluno > professor, essa dupla se tornou amigos, essa dupla se tornou pessoas que confio plenamente. E não só eles mas mais algumas meninas que espero nunca perder contato, há também algumas pessoas que mesmo que eu não veja mais, guardarei com carinho a lembrança de ter conhecido elas. Conheci pessoas que marcaram minha vida, umas que quero levar comigo para o resto dos meus dias, outras que ficarão apenas na lembrança, outras que espero que ainda continuem na minha vida construindo mais histórias ou iniciando...

Por algum tempo vamos sentir um aperto no peito por tudo isso, por essa separação. Claro que com o passar dos dias, muitos de nós ia sair da academia ou mudar de turno (devido a trabalho ou mudança de cidade), mas ia ser um por vez, com calma, como foi quando alguns professores saíram, um de cada vez.  Mas agora foi de repente, todos...todos precisando escolher para onde ir... e isso é lindo de uma forma, esse carinho só existiu porque o fator humano fez parte todo o tempo.

Essa academia não marcaria tanto se não houvesse tanto respeito, tanto carinho, tanta atenção, tanta ausência de "aluninho só com roupa de marca", tantos cafés hehehehe, tantas conversas, tantos ensinamentos passados para nós alunos. Pessoal: entendam que não é um serviço ou objeto que conquistará alguém e a fidelidade desse alguém, mas sim é a forma como esse serviço é prestado, é a forma como esse objeto é fabricado e vendido, é o retorno, é a atenção constante.

Que esse fator humano entre na vida de todos vocês: para quem é empregado, entre na execução das tarefas e contato com os colegas, quem é estudante, na dedicação em aprender, quem é empresário na forma de tratar seus funcionários e clientes. O mundo precisa de mais fator humano em tudo na vida, o mundo precisa de mais respeito entre todos. O mundo precisa mais de coração.
Imagine se tudo ao ser redor tivesse esse fator humano? Seríamos muito mais felizes, teríamos mais paz  e confiança em quem está perto da gente. 

E para finalizar uma observação: não citei nomes das pessoas para manter o respeito e privacidade. Haaaa Fê mas tu citou uma Lu aí, aham, mas Lu pode ser apelido de tantos nomes, e quem disse que Lu é o início do nome verdadeiro da profe? hehehehe.  Há! E eu? Para onde fui depois da mudança da academia? Não aguentei, decidi seguir esse fator humano e me deslocar, agora não mais a pé com minhas mini caminhadas matinais de 10 minutos na ida e 10 na volta, mas de carro para o outro lado da cidade. E tudo vai mudando, menos o carinho e respeito que conquistamos nas pessoas. 

Por mais fator humano em tudo no mundo.


Fernanda Rocha

Comentários via Facebook

11 comentários:

  1. Oi Nessa,
    O mundo precisa de empatia, né? O fator humano muitas vezes é esquecido.
    Eu trabalho muito com computadores e te confesso que prefiro que me mandem um e-mail a um telefonema, porém sei que isso é errado e ainda gera margem para erros e desgostos.
    Uma linda reflexão sobre quem você é o seu legado no mundo.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com

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  2. Que reflexão linda, prezo e tento compartilhar isso ao máximo. O que o mundo precisa para ser um lugar melhor é empatia!

    www.kailagarcia.com

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  3. Reflexão muito boa, vemos o mundo sem pensar no coletivo, tudo no automático. Triste realidade.

    aproveita e segue o blog?
    Valeu! | OWNTHETIDE

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  4. Oi, Nessa!

    As vezes a gente pensa que é só chegar no lugar e fazer o que está programado, sem pensar como o ambiente por completo pode fazer toda a diferença. Eu também sou de chegar e ficar quieta, no meu cantinho, até me sentir confortável o bastante pra me soltar, e da única vez que frequentei academia, também notei como o alto astral, as amizades, e ver as mesmas pessoas sempre muda nosso dia, e como fariam falta. Ótimo o seu texto!!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  5. Que cronica maravilhosa, como sempre. Parabéns, que assunto ótimo! Empatia é essencial.
    Beijos.
    http://vinteedoisdemaio.blogspot.com/

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  6. Olá, Fernanda.
    Fiquei até emocionada agora, imagino vocês então. O fator humano foi decisivo mesmo. Eu sou muito tímida e as vezes até o telefone me incomoda se for com alguém desconhecido, mas acredito que se vencer essa barreira minha vida será muito melhor.

    Prefácio

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Oie Fernanda =)

    É engraçado como estamos cada vez mais conectados e de certa forma cada vez mais isolados. Estamos deixando der humanos, de ter empatia e amor pelo próximo.

    Belíssima reflexão sobre a importância da empatia e do contato humano, pois por mais que tenhamos a sensação que podemos ser felizes sozinhos, afinal a pessoa está a uma mensagem de distancia. Precisamos do contato, da proximidade, pois fomos feitos para viver em comunidade e não sós.

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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  9. mt bacana sua reflexao, precisamos msm ter mais empatia nas nossas ações do dia a dia

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  10. Olá, Fer! Adorei! Eu sou canceriana hehehe, então fator humano é algo que valorizo muito quando entro em algum lugar. O fato humano serve inclusive para estimular o aluno a prosseguir. A falta de empatia pode nos levar a desistir de frequentar um lugar (seja de atividade física ou qualquer outra atividade). Beijos!

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